A incontinência urinária caracteriza-se pela perda involuntária de urina e pode afetar pessoas de diferentes idades. Apesar de ser um problema comum, não deve ser encarada como uma consequência inevitável do envelhecimento.
Existem diferentes opções de tratamento da incontinência urinária, capazes de reduzir os episódios, melhorar o controlo da bexiga e aumentar a qualidade de vida. A abordagem mais adequada depende do tipo de incontinência, da intensidade dos sintomas, da causa e do estado geral de saúde.
O primeiro passo é procurar avaliação médica. As perdas de urina não devem ser normalizadas nem escondidas por constrangimento: identificar a causa permite escolher uma abordagem segura e adequada.
Quais são os principais tipos de incontinência urinária?
Identificar o tipo de incontinência é essencial para definir o tratamento:
- Incontinência urinária de esforço: as perdas acontecem quando existe um aumento da pressão abdominal, por exemplo, ao tossir, espirrar, rir, correr ou levantar pesos;
- Incontinência urinária de urgência: existe uma necessidade súbita e difícil de controlar de urinar, podendo ocorrer uma perda antes de chegar à casa de banho;
- Incontinência urinária mista: combina sintomas de esforço e de urgência;
- Incontinência por transbordamento: acontece quando a bexiga não esvazia corretamente, originando perdas frequentes ou contínuas.
As causas e os tratamentos variam entre estes tipos. Por esse motivo, soluções adequadas para uma pessoa podem não ser indicadas para outra.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico pode incluir uma conversa sobre os sintomas, exame físico, análise da urina e avaliação dos medicamentos utilizados. O médico pode também recomendar um diário da bexiga, no qual são registados:
- quantidade e horários dos líquidos ingeridos;
- frequência das idas à casa de banho;
- episódios de urgência;
- momentos em que ocorrem perdas;
- atividades associadas às perdas de urina.
Quais são os tratamentos disponíveis?
Selecione cada opção para conhecer as principais abordagens utilizadas no tratamento da incontinência urinária.
01Mudanças de hábitos e treino da bexiga+
As medidas comportamentais são frequentemente a primeira abordagem do tratamento. Podem incluir a redução do consumo de cafeína e álcool, controlo do peso, tratamento da obstipação e adequação da ingestão de líquidos.
Beber pouca água não é uma solução. Uma ingestão insuficiente pode tornar a urina mais concentrada e contribuir para a irritação da bexiga.
O treino vesical é utilizado sobretudo na incontinência de urgência e na bexiga hiperativa. Consiste em aprender técnicas para aumentar gradualmente o intervalo entre as idas à casa de banho e controlar melhor a sensação de urgência.
Este treino deve ser orientado por um profissional, especialmente quando existem outras doenças, dificuldades de mobilidade ou alterações cognitivas.
02Reabilitação do pavimento pélvico+
O pavimento pélvico é formado por músculos e outros tecidos que apoiam órgãos como a bexiga. Estes músculos também ajudam a controlar a uretra e a evitar perdas involuntárias.
A reabilitação procura melhorar a força, a resistência e a coordenação muscular através de exercícios específicos. Apesar de serem conhecidos como exercícios de Kegel, não devem ser realizados sem confirmar se os músculos certos estão a ser contraídos.
Um fisioterapeuta especializado pode avaliar o pavimento pélvico e definir um programa adaptado. Dependendo do caso, podem ser utilizadas técnicas complementares, como biofeedback ou estimulação elétrica.
Em que situações pode ser indicada?
- incontinência urinária de esforço;
- incontinência urinária mista;
- alguns casos de urgência;
- perdas após a gravidez ou parto;
- incontinência após determinados procedimentos urológicos.
As orientações do NICE recomendam o treino supervisionado dos músculos do pavimento pélvico como uma das primeiras abordagens para mulheres com incontinência de esforço ou mista.
03Tratamento com medicamentos+
Os medicamentos são utilizados principalmente no tratamento da bexiga hiperativa e da incontinência de urgência quando as medidas iniciais não proporcionam resultados suficientes.
Alguns medicamentos ajudam a reduzir as contrações involuntárias da bexiga. Outros favorecem o relaxamento do músculo da bexiga durante o enchimento, permitindo armazenar mais urina.
A escolha depende dos sintomas, da idade, das outras doenças e dos restantes medicamentos utilizados. Boca seca, obstipação, alterações da tensão arterial e outros efeitos secundários podem ocorrer, pelo que o tratamento deve ser prescrito e acompanhado por um médico.
Na incontinência mista, o profissional identifica geralmente o sintoma predominante para definir qual deve ser tratado primeiro.
A diminuição da capacidade da bexiga para contrair e esvaziar, por vezes designada bexiga hipoativa, exige uma avaliação própria. Não deve ser tratada automaticamente com medicamentos, porque pode estar associada a retenção urinária e necessitar de abordagens diferentes.
04Procedimentos e cirurgias+
Quando os tratamentos conservadores não são suficientes, podem ser considerados procedimentos ou cirurgias. A opção depende do tipo de incontinência, da anatomia da pessoa, dos resultados dos exames e das suas preferências.
Na incontinência urinária de esforço, as possibilidades podem incluir:
- procedimentos de suporte da uretra;
- colocação de sling ou fita suburetral em casos selecionados;
- injeção de agentes de preenchimento uretral;
- esfíncter urinário artificial em situações específicas.
Na incontinência de urgência ou bexiga hiperativa que não responde às abordagens iniciais, podem ser consideradas injeções de toxina botulínica na bexiga ou técnicas de neuromodulação.
Embora alguns procedimentos sejam pouco invasivos, todos apresentam possíveis riscos, benefícios e limitações. A anestesia e o tempo de recuperação variam consoante a intervenção. A decisão deve ser tomada com um urologista ou outro profissional especializado, após uma explicação clara das alternativas.
Os produtos absorventes tratam a incontinência?
Pensos, cueca fralda, fraldas para adultos e resguardos não tratam a causa da incontinência. Contudo, ajudam a gerir as perdas enquanto decorre a avaliação, enquanto o tratamento produz efeito ou quando os sintomas persistem.
O produto deve ser escolhido de acordo com a intensidade das perdas, o tamanho, a mobilidade, a autonomia e o período de utilização. Também deve ser substituído regularmente para preservar o conforto e proteger a pele.
Não adie a procura de ajuda
O tratamento da incontinência urinária deve ser personalizado. Para algumas pessoas, exercícios e mudanças de hábitos podem ser suficientes. Outras podem precisar de medicamentos, procedimentos ou de uma combinação de abordagens.
Quando procurar ajuda: procure avaliação médica se as perdas começarem subitamente, forem acompanhadas por dor, sangue na urina, dificuldade em esvaziar a bexiga ou afetarem as atividades diárias.
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Este artigo tem caráter informativo e não substitui o diagnóstico ou a orientação de um profissional de saúde.
















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